19 de setembro de 2014

Melbourne: a cidade que nos encantou

Melbourne é simplesmente demais e ponto. Acho que nem um livro inteiro é capaz de descrever o que é a cidade. Cultura, diversidade, muitas áreas verdes, Melbourne tem uma atmosfera que só estando lá para entender. A cidade é vibrante, cheia de cores, aromas, sons... Bondinhos passando, bicicletas pra todo canto, pessoas diferentes, tudo junto e misturado. Deixar se perder pelas ruas de Melbourne é algo delicioso, a cada esquina você encontra algo para fazer, um canto charmoso, um beco cheio de cafés, um parque. Curiosamente, a cidade foi pensada para que a cada 15 minutos de caminhada você tenha um parque para relaxar é exatamente assim que funciona. Nosso tempo em Melbourne foi pouco, muito pouco! Ah, e a arquitetura?! Sensacional! Algo que ficamos orgulhosos de ver e dizer que somos arquitetos! Ficamos apenas 2 dias mas foi o suficiente para nos apaixonarmos pela cidade e querermos voltar lá (quem sabe até morar em Melbourne). É impressionante como até os becos com lixeira são limpos e organizados (nunca tinha visto isso na vida!). Desembarcamos num domingo ensolarado e seguimos as instruções de nossa anfitriã (do couchsurfing) para chegarmos até a casa dela. O jeito mais rápido de ir do aeroporto até o centro da cidade é através do Skybus, demora cerca de 20 min. Não diria que é o mais barato, custa AU$ 18,00 o trecho do aeroporto até o centro, mas é bem eficiente. No outro dia, descobrimos que existe sim uma opção mais em conta, 100% de transporte público, mas demora um pouco mais (cerca de 1 hora da estação central até o aeroporto) em compensação a viagem custa, aproximadamente AU$ 6,00. (dica importante: existem vários centros de informações de transportes públicos na Austrália, procure um e você irá encontrar a melhor opção para seu trajeto!). O Skybus leva até a principal estação multimodal e de lá você pode pegar um trem, tram (ou bondinho), metrô ou ônibus para qualquer lugar. O transporte público é muito bom, o único problema é que você tem que comprar um cartão (como o bilhete único de São Paulo) que custa AU$ 6,00 e você não consegue comprar o bilhete avulso. Para quem vai ficar poucos dias acaba pagando a mais e ficando com o cartão na mão, mas é o sistema. Existe também um bonde circular que é gratuito, ele faz intersecção com outras linhas e passa por vários pontos turísticos (dá pra ficar rodando por horas de graça, hahaha)! Dependendo de onde você for ficar hospedado pode economizar uma boa pernada só com o bonde circular. 

Bondinho circular grátis!



No nosso caso, pegamos o bondinho até a casa onde nos hospedamos. Chegamos no local, uma casinha bem simpática com jardim na frente, localizada numa rua tranquila. Nossa anfitriã estava cuidando do jardim e nos convidou para um almoço. Uma das maravilhas do couchsurfing é interagir com quem é do local, que irá te passar dicas e até levar para almoçar em lugares que estão fora do roteiro turístico, acho que foi esse nosso caso. Fomos almoçar num lugar que era um antigo convento e que hoje funciona como um centro gastronômico/ parque. Nossa estadia em Melbourne começou muito bem (não foi à toa que nos apaixonamos pela cidade!). 

Ex-convento

No final da tarde, seguimos para o centro da cidade (dessa vez por nossa conta) e pegamos o bondinho circular até o Waterfront. De lá continuamos rumo ao centro e nos deixamos levar pelos encantos da cidade. Descobrimos (meio que sem-querer) a Chinatown (pasmem, mas a Chinatown de lá é super organizada!), um rooftop bar super legal, e mais um monte de bares e baladinhas que ficam nos becos a cidade. No dia seguinte saímos cedo de casa para pegar o free walking tour, que para quem não conhece é um passeio guiado pela cidade e gratuito (você pode pagar uma gorjeta para o guia, mas não é obrigatório). 

Free walking tour

Nós sempre procuramos por free walking tours nas cidades que visitamos, consideramos uma ótima maneira de andar pelo local e descobrir um pouco mais da história e curiosidades. Terminado o tour, ficamos andando pela cidade, nos deixando se encantar ainda mais por Melbourne. Terminamos nossa noite num delicioso restaurante vegano, a convite de nossa anfitriã. A culinária em Melbourne é algo sensacional. Todos os restaurantes pelos quais passamos eram super legais, uma arquitetura bacana e a comida com uma cara muito boa! Não é à toa que a cidade é considerada a capital cultural da Austrália. De fato a cidade nos encantou, mas tínhamos que continuar, afinal ainda tem uma Austrália inteira pela frente e o vento (ou a ventania, no caso da nossa próxima parada) soprando em nossa direção!
PS: aposto que depois deste post você terá uma outra ideia da cidade quando assistir o GP de Melbourne!









17 de setembro de 2014

Tasmânia: um pedaço de paraíso (ou o paraíso inteiro)

De Sydney seguimos para Tasmânia, ou Tassie como é conhecida por aqui. Passamos 8 dias lá e tivemos uma experiência muito legal com o Helpx  (Help Exchange). Para quem não conhece, o Helpx é uma comunidade muito bacana onde você troca mão de obra (de qualquer tipo, desde pintar a cerca, cuidar do jardim, atender em um hostel até auxiliar pessoas idosas) por hospedagem e alimentação. No nosso caso, fomos convidados por um casal muito legal a auxiliar na construção da casa deles. E quando nos referimos à construção é mão na massa mesmo, pintura, janelas, etc. Acabamos ajudando um pouquinho com o projeto da cozinha, mas mais dando opiniões que desenvolvendo o projeto. A princípio, nós não iríamos até Tassie, mas o convite foi tão interessante que resolvemos alterar nossos planos. Em geral, os trabalhos do Helpx são de meio período, mas estávamos lá para ajudá-los o máximo possível. Infelizmente, por um atraso da entrega das janelas (sim, até na Austrália os fornecedores falham), nosso esquema de trabalho foi alterado e acabamos ajudando com pintura das placas de forro, moldura das janelas, além de carregar toras de madeira (nos sentimos o próprio Rocky Balboa!), até usar a moto serra nós aprendemos! A experiência foi muito legal, além do que o lugar é simplesmente maravilhoso! Nosso caminho entre a casa e o trabalho parecia cenário de filme. Casas bonitinhas com jardim enorme na frente, cachorro, gato, ovelhas, cavalos, passarinhos cantando. As pessoas se cumprimentam na rua, todo mundo conhece o vizinho, os carros desviam dos pedestres, as crianças esperam o ônibus da escola, simplesmente o cenário é perfeito! O barulho que nos acordava de manhã era dos passarinhos cantando! Mas não só de trabalho foi feita nossa vida na Tasmânia. Tivemos oportunidade de conviver com a família que nos hospedou, e aproveitamos também um dia de folga para conhecer um dos lindos parques nacionais de Tassie, o Freycenet National Park. Fácil, fácil ficaríamos mais 1 ou 3 meses por lá (quem sabe comprar um pedacinho de terra e criar umas ovelhas!), mas ainda temos muito o que ver da Austrália e partimos com vontade de ficar. Sem dúvida nenhuma a Tasmânia vale a visita e já ocupa um lugar especial no nosso coração. Que um dia os bons ventos nos levem de volta à querida Tassie!

Nosso lar em Tassie (protegido por Ned Kelly)

Vista do rio Tamar em frente à casa (nada mal)

Freycenet National Park

Fazendo amizade com Wallabie (não é zoológico)

Interagindo com o habitante local

Vista do rio Tamar

Nóis no trampo

Caminho de volta pra casa (saindo do trampo)

Freycenet National Park

Wineglass bay (Freycenet National Park)

9 de setembro de 2014

Sydney

Após 500 mil horas de vôo chegamos a nossa primeira parada oficial: Austrália. Desembarcamos em Sydney numa manhã fria, mas ensolarada. Chegamos muito bem, mas nossas malas gostaram tanto de NY que resolveram ficar por lá mesmo! Ok! Faz parte da viagem, o máximo que dá pra fazer é notificar a companhia e torcer para que elas cheguem o mais rápido possível. Pegamos nosso endereço e fomos atrás de informações sobre como chegar lá. O aeroporto de Sydney oferece um serviço gratuito de consierge de transporte. Isso mesmo, tem uma galera dedicada a te explicar a melhor (e/ ou mais barata) maneira de você chegar ao seu destino. Eles também agendam uma van ou taxi caso você queira. No nosso caso, o moço que nos atendeu nos ofereceu 3 opções com preços: taxi, o trem do aeroporto ou transporte público. Optamos pelo transporte público, que além de ser a opção mais barata, foi muito eficiente, rápido e fácil (isso porque o moço disse que seria um pouco "tricky", mas acho que ele nunca fez uma baldeação na Sé!). 
Ficamos hospedados na casa de uma amiga de uma prima e acho que não poderíamos ter melhores boas vindas e anfitriões! Ela estava trabalhando quando chegamos e o marido viajando, mas mesmo assim deixou a chave no esconderijo secreto, um mapinha das redondezas, e ainda nos deixou um delicioso chocolate australiano em nossa cama (pra quem conhece: TimTam!). O bairro é residencial, super arborizado e bem tranquilo. Resolvemos tirar o dia para descansar, sem muita correria para fazer turismo, aproveitando a tranquilidade do local para organizar nossa vida.




No dia seguinte saímos para conhecer a Opera House e arredores. Infelizmente não pudemos nos alongar no passeio porque nos telefonaram avisando que iriam entregar as malas no final da tarde (uhu! elas chegaram na Austrália). Descemos na Central Station e caminhamos até a Opera House, passando pelo Hyde Park e Royal Garden. A cidade é linda, e acho que as imagens valem mais que as palavras!

Instruções para atravessar a rua!

Dentro da Opera House, vale a visita!




Primeira aparição do Kiwi estressado


Meu, meu, meu....




Essa foto está na família da Dri em 3 momentos diferentes: 1973, 2006 e agora 2014

Olha a alegria de reencontrar as malas!

Terminamos o dia jantando em ótima companhia! O casal querido que nos hospedou e mais um casal de amigos nos levou pra jantar num restaurante delicioso.
O sábado amanheceu chuvoso, mas tomamos um delicioso café da manhã no melhor estilo australiano! 

Lu e Ben, obrigado por tudo!

Aproveitamos que o dia não estava para muito passeio, para finalizar as compras da viagem e ainda ganhamos uma carona até o aeroporto. O vento soprou (o que não falta em Sydney é vento!) em direção ao sul e nos levou para Tasmânia! 

5 de setembro de 2014

Uma escala em NYC (agora com mais fotos!)

No nosso caminho até Sydney estava Nova Yorque. Não sabíamos se iríamos conseguir sair do aeroporto, mas deu tudo certo e saímos. Chegamos em NY às 7:30 da manhã e nosso vôo para Sydney sairia às 18:15 então, nada como um passeio de algumas horas para esticar as pernas e cansar bastante porque a próxima pernada de avião seria grande.
NY tem uma característica interessante: parece que a todo momento você está dentro de um filme. E mesmo já sabendo o que vai encontrar lá, não deixa de ser surpreendente! Caminhar em NY é muito gostoso, as calçadas são largas e você vai reconhecendo os prédios e os cenários
Tivemos que fazer um roteiro bem enxuto, priorizando as compras que ainda precisávamos para completar nossa bagagem de volta ao mundo. Resolvemos descer na 5a. avenida, passar na Apple (e claro aproveitar o wifi gratuito), tocar o piano gigante da Fao Shwarz e passear um pouquinho pelo Central Park.
Wifi grátis


Esqueceram de mim 


"Tocando" piano (Quero ser grande!)

Everything is awesome!





Almoçamos uma fatia de pizza de US$ 1 (vamos manter o orçamento da viagem, né?!). 

Fatia gigante de US$ 1

Estando nos EUA coma como os americanos!

Graças à consultoria da nossa amiga Me (que conhece NY como ninguém) paramos na melhor loja de câmeras fotográficas/ eletrônicos do mundo. A B&H tem ótimos preços (o Macbook air tava US$ 100 mais barato que na Applestore) e compramos os acessórios que estavam faltando para nossa viagem.
Saindo de lá fomos para Timesquare, que sempre vale a visita. Comemos um hot dog nova-iorquino e voltamos pro aeroporto. 

Onde está o Empire State?


Selfie na Times Square




Mais selfie na Times Square

Deu pra cansar bastante afinal, a próxima etapa seriam 495 horas de vôo (brincadeira, apenas 23 horas!). E vamos para Sydney!

Alongando antes das 495 horas de vôo

4 de setembro de 2014

01 de Setembro de 2014 (by Manu)

Hoje é o dia que marca o inicio de um sonho para nós. Sonho este, que a cerca de um ano, não imaginávamos sequer possível. Muito me tem sido perguntado sobre se estou ansioso, nervoso, ou o que. E sinceramente, não tive um segundo sequer, neste último ano, para refletir sobre como me sinto. Talvez seja esta mais uma razão para seguir nesta empreitada. Em meio a tantos compromissos e pressões profissionais e pessoais, não tenho tido muito tempo para mim nos últimos anos. Entrei no ritmo do que costumo chamar de “ter que”. Acho que todos nós devemos dizer e ouvir incontáveis vezes ao dia, que temos que fazer tal coisa..., ou, ... não esqueça... Você tem que fazer tal coisa tal dia e tal hora... Acho que nada no mundo tem me irritado mais do que ouvir e dizer isso para compromissos que nem sei como apareceram na minha agenda. Certamente não escolhi nem estive de acordo com aproximadamente 80% dos “ter que” que ouvi e que disse nos último anos.

Hoje, depois de 1 mês do meu último dia de trabalho, sinto que raramente estive tão cansado por “ter que fazer” tudo o que tive que fazer neste último mês. No entanto, desta vez, depois de muito tempo, sinto que a grande maioria foi em função da minha escolha, e das minhas decisões. E este sentimento trás com ele uma sensação de realização que a muito tempo não me fazia presente.
Acredito então, que eu possa finalmente, me aproximar de dizer como me sinto no inicio desta nossa jornada. Acho que tentarei definir como um misto entre medo, ansiedade, e realização pessoal.
Estamos prestes a iniciar a execução do nosso segundo grande plano como casal (o primeiro foi casar-nos, plano este em que podemos dizer que estamos sendo muito bem sucedidos, e que estamos cuidando com muito carinho para ter certeza de que continue assim). Temos outros grandes planos mais adiante, mas por enquanto estamos focados em nossa viagem.

Sair pelo mundo como faremos gera medo. Medo sim: “E se não der certo?” “E se acontecer alguma coisa?” “E o Ebola na África?” “E a crise na Ucrânia?” “E a guerra entre Israel e o Hamas?”. Essas perguntas estão sempre lá no fundo dos nossos pensamentos, mas ganham impulso quando nos são perguntadas. Fato é que tomamos todas a precauções necessárias e nos preparamos o melhor possível (sinceramente, fizemos tudo o que estava a nosso alcance). Não estaremos em nenhuma zona de guerra ou conflito imediatamente, e obviamente monitoraremos os correntes. Caso estes conflitos se mantenham quando do período que pretendemos por lá passar, é óbvio que os evitaremos. Já com a ajuda do pessoal do Medicina do Viajante do Instituto Emilio Ribas, acompanharemos o alastramento de eventuais epidemias pelo mundo.

A realização de um plano de tamanha magnitude certamente gera ansiedade. Pudera. É um sonho de vida comum a nós dois, e que não acreditávamos ser possível, mas que agora se inicia. A vida, até onde cientificamente se pode comprovar, é uma só e entendemos não que convém desperdiça-la. Poucos são aqueles que podem dizer, no fim dos seus dias, que realizaram os seus sonhos, e que viveram uma vida plena pois estiveram por toda a vida focados no trabalho, no acumulo incessante de bens materiais e nos tais “ter que” (recomendamos fortemente, que leiam neste link, o trabalho sobre pacientes terminais realizada por uma enfermeira especializada). Estamos em busca das nossas realizações pessoais. Claro que reconhecemos também, que este sonho só foi possível em função de uma conjunção de fatores:

1. Temos vontade de realiza-lo, e esse é fácil; 
2. Podemos realiza-lo;
3. Temos condições físicas para realiza-lo. 
4. Temos condições financeiras para realiza-lo (mais uma vez: não... não estamos nem perto de ser milionários. Veja no post sobre o planejamento da viagem, e as formas de economizar. Uma nova abordagem quanto às formas de consumo correntes em nossa sociedade também ajuda muito neste ponto).

Entendemos que realizar nossos sonhos deve ser parte das nossas vidas, na mesma medida que o trabalho (sem este a vida também não pode ser plena, na medida em que é apenas através dele que os sonhos e demais objetivos se tornam financeiramente viáveis), ser parte de uma família (percebam que não dissemos “ter filhos”. Ser parte de uma família é ligeiramente diferente). Estes, acreditamos, estes são os pilares de uma vida plena: sonhos, trabalho e família (parece muito com os três pilares da sustentabilidade não?! A saber: Finanças, bem estar social e benefícios ambientais).

Apesar disso tudo, e talvez por isso mesmo, a parte difícil tenha sido nos despedir, ainda que temporariamente de nossas famílias (o irmão do Manu até resolver se casar na véspera só para poder nos prover uma festa de despedida à altura... Obrigado Leandro e Meyre), de nossos trabalhos, e de nossa casa.

Festa de despedida em que o irmão do Manu se casou!

Com a família no bota-fora do aeroporto


E que amanhã, bons ventos soprem sobre NY, onde faremos uma escala estratégica para fazer as últimas aquisições da viagem.

Partindo rumo à Sydney com uma passadinha por NY